Microsoft aposta em MicroLEDs para tornar redes de data centers mais eficientes

2026-06-25

A Microsoft apresentou novos avanços em tecnologias de rede para centros de dados, numa aposta destinada a aumentar a eficiência, fiabilidade e capacidade das infraestruturas que suportam cloud e inteligência artificial. O principal destaque é uma nova tecnologia de interligação baseada em MicroLEDs, desenvolvida pelo Microsoft Research, que poderá reduzir significativamente o consumo energético das ligações internas dos centros de dados.
A solução está a ser desenvolvida no laboratório de investigação da Microsoft em Cambridge, no Reino Unido, em colaboração com equipas do Azure Core, Azure Hardware Systems and Infrastructure e Microsoft 365. A tecnologia, que deverá chegar ao mercado no final de 2027, foi concebida como alternativa às ligações óticas convencionais baseadas em laser, hoje usadas em ambientes de elevada densidade computacional.
Segundo os testes laboratoriais divulgados pela Microsoft, o sistema baseado em MicroLEDs pode reduzir em cerca de 50% o consumo energético face aos cabos óticos convencionais, ao mesmo tempo que aumenta a robustez das ligações. Por ser menos sensível a variações de temperatura e poeiras, poderá contribuir para uma operação mais estável em centros de dados que suportam cargas intensivas de IA.
A inovação responde a um problema estrutural da nova vaga tecnológica. À medida que a inteligência artificial aumenta a necessidade de processamento, servidores, GPUs e sistemas de armazenamento têm de trocar volumes crescentes de dados com latência mínima e consumo controlado. A rede interna dos centros de dados torna-se, por isso, tão crítica como a capacidade computacional.
Um dos elementos diferenciadores da abordagem da Microsoft é a utilização de imaging fiber, um tipo de fibra com milhares de núcleos no seu interior, já usada em áreas como a endoscopia médica. Esta arquitetura permite transmitir grandes volumes de dados em paralelo, através de milhares de canais simultâneos.
No sistema desenvolvido pela Microsoft, os dados são transmitidos por padrões de luz comparáveis a códigos QR. Esta lógica permite manter elevada capacidade total de transmissão, mas com ganhos em eficiência energética, fiabilidade e longevidade das ligações. A tecnologia foi pensada sobretudo para interligar servidores e GPUs dentro de centros de dados dedicados a cloud, IA e computação intensiva.
Em paralelo, a Microsoft continua a investir em Hollow Core Fiber, outra tecnologia estratégica de rede já em utilização em algumas regiões do Azure e em fase de expansão global. Ao transportar luz através de um núcleo oco preenchido por ar, esta fibra permite acelerar a transmissão de dados e reduzir a latência face à fibra monomodo convencional.
De acordo com a empresa, a Hollow Core Fiber pode acelerar a transmissão de dados em cerca de 47% e reduzir a latência em aproximadamente 33% quando comparada com a fibra tradicional. Esta melhoria permite maior flexibilidade na localização dos centros de dados e possibilita servir utilizadores a maiores distâncias sem comprometer a rapidez e a capacidade de resposta.
A tecnologia teve origem na Universidade de Southampton e foi aprofundada pela Lumenisity, empresa adquirida pela Microsoft em 2022. Desde então, tornou-se uma das apostas da tecnológica para melhorar a conectividade entre centros de dados e reforçar o desempenho da infraestrutura global do Azure.
As duas tecnologias desempenham papéis complementares. Enquanto os MicroLEDs estão orientados para ligações de alta densidade dentro dos centros de dados, a Hollow Core Fiber procura melhorar a ligação entre centros de dados e a prestação de serviços a clientes distribuídos geograficamente. Em conjunto, reforçam a estratégia da Microsoft para criar uma infraestrutura cloud mais rápida, eficiente e preparada para a era da IA.
A aposta mostra que a corrida à inteligência artificial não se decide apenas nos modelos, nos chips ou nos data centers em si. Depende também da engenharia de rede que permite mover dados de forma rápida, fiável e energeticamente eficiente. Num contexto em que o consumo energético e a escalabilidade das infraestruturas digitais estão sob crescente escrutínio, tecnologias como MicroLEDs e Hollow Core Fiber podem tornar-se peças críticas da próxima geração de cloud.
 


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