A Microsoft lançou o seu primeiro modelo de inteligência artificial especificamente concebido para a cibersegurança. Trata-se de um novo sistema agêntico destinado a detetar, validar e corrigir vulnerabilidades de forma contínua. Assenta numa combinação de modelos especializados, agentes autónomos e dados recolhidos em larga escala, para acelerar a identificação e correção de vulnerabilidades. A estratégia responde a um cenário em que a IA reduz o custo dos ataques e encurta o intervalo entre a descoberta de uma falha e a sua exploração.
O modelo, denominado MAI-Cyber-1-Flash, foi integrado no MDASH, a plataforma de análise de código da Microsoft que coordena mais de 100 agentes especializados e vários modelos de IA. A tecnológica anunciou também o Project Perception, um sistema que combina agentes defensivos e ofensivos para monitorizar riscos e transformar sinais de segurança em ações corretivas. E avança que o objetivo é adaptar a defesa a um contexto em que os atacantes podem recorrer a IA para procurar vulnerabilidades, gerar explorações e lançar campanhas a uma velocidade superior à capacidade de resposta das equipas humanas.
O MAI-Cyber-1-Flash foi desenvolvido para analisar bases de código complexas e identificar vulnerabilidades difíceis de detetar através de ferramentas convencionais. Trata-se de um modelo compacto, orientado para código e derivado da família MAI-Thinking.
A Microsoft afirma que o modelo consegue executar até 90% das tarefas de análise do MDASH, reservando modelos mais avançados e dispendiosos, como o GPT-5.4, para os 10% de casos de maior complexidade. Esta divisão permite reduzir para metade os custos face à configuração anteriormente utilizada pela plataforma. Diz ainda que nos testes CyberGym, que avaliam a capacidade dos sistemas para encontrar vulnerabilidades reais em grandes bases de código, a combinação do MAI-Cyber-1-Flash com o GPT-5.4 obteve um resultado próximo de 96%, 12 pontos acima do modelo Mythos, segundo os dados divulgados pela Microsoft.
O MDASH não funciona como um único modelo. A plataforma distribui o processo por mais de 100 agentes com funções distintas, que analisam o código, identificam potenciais vulnerabilidades, discutem a probabilidade de exploração, eliminam duplicações e tentam reproduzir as falhas encontradas.
A Microsoft já utilizou o sistema para identificar 16 vulnerabilidades na infraestrutura de rede e autenticação do Windows, incluindo quatro falhas críticas de execução remota de código. Num teste privado, o MDASH detetou 21 vulnerabilidades introduzidas deliberadamente, sem falsos positivos, e alcançou uma taxa de 96% em casos históricos analisados pela equipa de resposta de segurança da empresa.
O sistema está disponível em versão de teste para um conjunto restrito de organizações e foi integrado no Microsoft Defender e no GitHub Code Security para permitir que as falhas sejam analisadas e corrigidas mais cedo no ciclo de desenvolvimento.
O segundo anúncio, o Project Perception, amplia a abordagem para além da análise de código. O sistema combina dados de identidades, dispositivos, aplicações, cloud, redes e ambientes de IA, criando uma representação atualizada dos ativos e riscos de cada organização. A plataforma coordena três tipos de agentes. Os agentes de equipa vermelha procuram caminhos que possam ser utilizados por atacantes. Os agentes de equipa azul investigam os sinais e avaliam o risco. Já os agentes de equipa verde executam correções e reforçam as defesas.
A Microsoft descreve o modelo como um circuito fechado, no qual os agentes descobrem, avaliam e corrigem continuamente vulnerabilidades. A arquitetura combina modelos de fronteira com modelos especializados, escolhidos em função da qualidade, latência e custo de cada tarefa. O Project Perception entra em pré-visualização pública a 3 de agosto e deverá incorporar progressivamente o MAI-Cyber-1-Flash em outros processos de segurança, para além da gestão de vulnerabilidades em software.
A tecnológica diz ainda que o novo sistema mantém as decisões críticas sob supervisão humana e inclui controlos empresariais, como isolamento entre clientes, encriptação, auditoria, permissões baseadas em funções e ambientes de execução sem acesso à internet.
A Microsoft sustenta que os métodos tradicionais, baseados em verificações periódicas e correções posteriores, já não são suficientes perante ameaças automatizadas. A empresa processa mais de 100 biliões de sinais de segurança por dia e presta serviços a cerca de 1,6 milhões de clientes, dados que utiliza para treinar e ajustar os novos modelos.
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