A Microsoft Portugal promoveu o Hackathon AI x Justice, iniciativa dedicada à aplicação responsável da inteligência artificial no setor jurídico. O evento reuniu cerca de 35 estudantes universitários de Direito, sociedades de advogados e especialistas da Microsoft, com o objetivo de capacitar talento, estimular a experimentação e aproximar academia, prática jurídica e tecnologia.
A iniciativa contou com estudantes da Universidade Católica Portuguesa, da NOVA School of Law e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, bem como com a participação de sociedades de advogados como Gómez-Acebo & Pombo, CCA, PLMJ e Cuatrecasas. Ao longo de um dia, as equipas trabalharam desafios concretos do setor jurídico, desde a eficiência operacional ao apoio à decisão, desenvolvendo protótipos com recurso a tecnologias de IA.
Para a Microsoft, a modernização do setor jurídico tornou-se essencial num contexto marcado por crescente complexidade regulatória, pressão por eficiência, escassez de recursos e necessidade de maior previsibilidade. A justiça é apresentada como uma infraestrutura de confiança da sociedade, com impacto direto na credibilidade das instituições, na coesão social e na competitividade económica.
"É crucial compreender como diferentes setores, como o académico e o sistema judicial, podem tirar partido da IA", afirma Juan Carretero Sánchez, Legal and External Affairs Lead na Microsoft Portugal. Para o responsável, o desafio raramente está na falta de informação ou competência, mas na capacidade de fazer circular conhecimento, torná-lo reutilizável e garantir que chega a tempo de suportar boas decisões.
A Microsoft identifica neste ponto um dos principais problemas das organizações jurídicas. Pareceres, análises, enquadramento regulatório e conhecimento especializado permanecem frequentemente dispersos em silos, o que conduz à duplicação de trabalho e à perda de conhecimento crítico. A IA pode ajudar a transformar informação dispersa em conhecimento acionável, desde que aplicada com supervisão humana, segurança, privacidade e transparência.
A iniciativa procurou precisamente demonstrar que a tecnologia pode apoiar o trabalho jurídico sem substituir o julgamento humano. A aplicação de IA no setor pode melhorar consistência, acelerar tarefas repetitivas, apoiar análise documental e libertar tempo para trabalho de maior valor acrescentado. Mas exige literacia digital, conhecimento dos limites da tecnologia e adoção responsável.
Durante o hackathon, as equipas multidisciplinares desenharam soluções orientadas a problemas reais, explorando casos de uso com impacto, aplicabilidade e confiança. No final do dia, apresentaram protótipos desenvolvidos com recurso à tecnologia,
Todas as soluções desenvolvidas no hackathon serão enquadradas pelos princípios de IA responsável da Microsoft, incorporando desde o início preocupações com segurança, privacidade, transparência e supervisão humana. Esta dimensão é particularmente relevante num setor onde confiança, rigor e proteção de dados são condições essenciais.
Com esta iniciativa, a Microsoft pretende contribuir para um ecossistema jurídico mais preparado para a era digital, reforçando competências, promovendo a cocriação e aproximando futuros juristas das ferramentas que deverão marcar a evolução da profissão.