Salesforce reúne profissionais para demonstrar IA agêntica nas empresas

2026-05-20

A Salesforce reuniu cerca de 1.600 profissionais no Agentforce World Tour Lisboa 2026, realizado no CCB, num evento centrado na aplicação prática da IA agêntica nas empresas. A tecnológica apresentou demonstrações do Agentforce e mostrou como agentes de IA podem apoiar processos empresariais, melhorar produtividade, aumentar eficiência e transformar a relação com clientes e colaboradores.
A edição deste ano posicionou o conceito de Empresa Agêntica como a próxima etapa da transformação digital. A proposta assenta na colaboração entre humanos e agentes de IA, com sistemas capazes de agir sobre dados, aplicações e fluxos de trabalho empresariais, em vez de se limitarem a responder a perguntas ou gerar conteúdos.
"Portugal tem vindo a evidenciar uma evolução positiva na adoção de soluções como o Agentforce", afirma Fernando Braz, country leader da Salesforce em Portugal. O responsável sublinha que cada vez mais organizações estão a explorar o potencial da IA agêntica e a avaliar o seu contributo para ganhos de eficiência, produtividade e melhoria da experiência do cliente.
Entre as empresas presentes estiveram o Futebol Clube do Porto, Caixa Geral de Depósitos, MEO, Vista Alegre, Universidade Europeia, Luz Saúde, Generali Tranquilidade, Super Bock e CTT Portugal, que partilharam processos de transformação digital desenvolvidos com a Salesforce. Parceiros como NTT Data, Deloitte e Accenture também participaram no evento, com casos de projetos implementados em diferentes setores.
A Salesforce afirma contar já com mais de 29 mil clientes de Agentforce a nível global, mas defende que a adoção empresarial de IA exige mais do que grandes modelos de linguagem. A empresa recorda um estudo do MIT segundo o qual 95% dos projetos-piloto de IA não chegam à fase de produção, devido à dificuldade de transformar modelos genéricos em soluções capazes de operar em ambientes empresariais reais.
"Os grandes modelos de linguagem carecem de conhecimento específico do negócio, não são deterministas, apresentam problemas de transparência e podem gerar alucinações totalmente inaceitáveis para as empresas", diz Fernando Braz. Para ultrapassar a fase dos pilotos, acrescenta, é necessário dar aos modelos contexto, dados, aplicações de negócio, sistemas de agentes e canais de engagement.
A arquitetura proposta pela Salesforce assenta em quatro pilares. O Data 360 funciona como sistema de contexto, permitindo ativar dados corporativos. O Customer 360 atua como sistema de trabalho, com base nas aplicações empresariais da Salesforce. O Agentforce permite construir, testar, implementar, monitorizar e evoluir agentes de IA à escala. E os canais digitais e de voz, com destaque para o Slack, suportam a nova colaboração entre humanos, agentes e aplicações.
Segundo a Salesforce, esta arquitetura é aberta em todas as camadas e pode integrar-se com os sistemas de negócio existentes nas empresas. A lógica é permitir que os agentes de IA atuem sobre processos concretos, com acesso a dados relevantes, regras de negócio e mecanismos de monitorização.
Com o Agentforce World Tour Lisboa, a Salesforce procurou mostrar que a IA agêntica está a passar da fase conceptual para a execução empresarial. Para as organizações portuguesas, o desafio será transformar experimentação em escala, garantindo dados preparados, governação, integração com processos e capacidade de medir impacto real no negócio.